Chega de trabalho Infantil – Por Luis Yabiku

3 de abril de 2017

Erradicar o trabalho infantil é uma tarefa árdua em um país que ainda convive com tantos contrastes econômicos e sociais como o Brasil. Em nosso cotidiano, é comum presenciarmos cenas em que crianças e adolescentes iniciam suas trajetórias profissionais inadequadamente, o que, de modo geral, compromete sua formação educacional e psicológica.

O desafio de viabilizar o ingresso digno de nossos jovens no mercado não é apenas das autoridades competentes, mas de toda a sociedade. Nesse sentido, o MPT (Ministério Público do Trabalho) da 15ªRegião,com sede em Campinas, lançou recentemente a campanha nacional #ChegadeTrabalho Infantil, que conta com a participação voluntária de artistas e atletas comoChitãozinho&Xororó,Daniel,HortênsiaeMaurício.Além de um site temático, contendo um blogcom notíciase orientaçõesatualizadassobreotema,a campanha também conta com a fanpage no Facebook e um canal próprio no YouTube.

Dados de 2016, que constam de uma pesquisa feita pela Fundação Abrinq, revelam que cerca de 3,3 milhões de crianças e adolescentes brasileiros trabalham em condições precárias. A OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que 14,4% dos trabalhadores que atuam em atividades de alto risco no país têm idade entre 15 e 17 anos.

A Prefeitura de Campinas, por meio da Secretaria de Trabalho e Renda, apoia e estimula iniciativas como essa do MPT da 15ª Região. Até o final do mês,deveser divulgado o resultado do trabalho desenvolvido por uma comissão multissetorial da administração municipal, que indicará uma série de medidas de combate ao trabalho infantil e de estímulo à aprendizagem profissional, única forma legal de incluir no mercado de trabalho os adolescentes entre 14 e 16 anos.

Especialistas alertam que é justamente nessa faixa etária que a maioria dos jovens abandona os estudos e muitas vezes se envolve em atividades ilícitas. Apesar disso, o número de aprendizes contratados no Brasil–cerca de 350 mil– fica muito aquém do potencial e das necessidades dessa parcela da população.

Sou um entusiasta confesso dos programas de aprendizagem profissional. Creio ser a iniciativa mais eficaz no combate ao trabalho infantil, à evasão escolar e ao envolvimento dos adolescentes com a criminalidade.

Recentemente, tive a oportunidade de conhecer o trabalho desenvolvido pela Fundação Benicar, que forma aprendizes na área de mecânica de automóveis. Conversei com alguns dos rapazes e moças, com idades entre 17 e 19 anos, que já atuam como auxiliar de mecânico na própria concessionária. A alegria de aprenderem um ofício que lhes garantirá um futuro profissional digno estava estampada em suas expressões.Precisamos trabalhar e unir esforços para que essa mesma felicidade ilumine os rostos de tantos outros jovens.

* Luis Yabiku é secretário municipal de Trabalho e Renda de Campinas.

** Artigo originalmente publicado no jornal Correio Popular, de Campinas, SP.

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